Dos auto-retratos
Do velório sou a mortalha
Das ações sou o mercado
Do barbeiro sou a navalha
Dos anjos sou o pecado.
Do velório sou a mortalha
Das ações sou o mercado
Do barbeiro sou a navalha
Dos anjos sou o pecado.
Cada noite quando é bem tarde
O desejo desperta e te procuro
Sem despertar o menor alarde
Seguindo teus olhos no escuro.
Toda vez que te procuro
Lembro do seu abandono
No meio do quarto escuro
Perco, vencido pelo sono.
Quando olhares os olhos verdes
Saibas já dos perigos que corres
Pois eles funcionam como redes
E nunca falham. Sempre morres.
Quando sopra o vento
Vai o sol, a tarde finda
Acaba o calor e ainda
Limpa o pensamento
Quase bonita a infeliz
Mas o destino quis assim
Somar um gênio ruim
A meio metro de nariz.
Ver o cair das folhas
Diretamente para o chão
É como molhar sabão
Para dar vida às bolhas.
Teu sorriso é minha moradia
Que me abraça e conforta
E a mim não importa
Repetir isso a cada dia.
Enquanto houver testosterona, haverá violência. Enquanto houver estrógeno, haverá maledicência.
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