Alento
A cada instante
mais distante
A cada olhar
Um separar
A cada dia
Mais ironia
Mas,
Ao te ver,
Bem querer.
A cada instante
mais distante
A cada olhar
Um separar
A cada dia
Mais ironia
Mas,
Ao te ver,
Bem querer.
Ontem, no meio da Restaurante Week, foi o belíssimo aniversário da minha Frufru. E, para unir o útil ao agradável, escolhemos o Nam Thai, um tailandês interessante que fica nos jardins, para tertuliar a data. Chegamos pontualmente às 21h30, hora da reserva. Esperamos uns 10 minutos e seguimos para a mesa. Ela pediu uma Devassa loira e eu uma ruiva. A garçonete jurou de pés juntos que estavam sem ruiva. Pedi uma negra. Brindamos e começamos a falar da vida.
Veio a entrada. Uma sopinha de couve-flor e maçã acompanhada de um bolinho (tinha forma de disco, mas tudo bem) apimentado de peixe. Interessante, mas nada do outro lado do mundo.
Veio um hiato de silêncio e, como bom leitor que sou, peguei minha cerveja e comecei a ler o rótulo. Lá estava: válida até 19 de fevereiro de 2009. Em outras palavras, a minha devassa neguinha estava vencida há quase um mês! Chamei o garçom. Ele ouviu e passou a bola pro gerente. Seguiu o (quase) diálogo:
- Senhor, mil desculpas. Isso nunca aconteceu aqui antes. Tenho certeza que foi um problema do nosso fornecedor. Porque nosso estoque de bebidas gira muito rápido e, como as cervejas têm 6 meses de validade, elas nem chegam perto de estragar.
- hum hum…
- Senhor, estou muito envergonhado. Por isso faço questão de dar este jantar por nossa conta.
- Ah, não precisa. Só quero uma nova cerveja (sorriso incontrolável, mode on)
- Não senhor. Eu faço questão. Este jantar será por nossa conta.
- É? Tá bom.
- O senhor aceita outra cerveja?
- Claro. Se não estiver estragada…
Ele saiu, mas voltou logo em seguida.
- Senhor, não temos mais negra. Pode ser outra.
- Tudo bem. Já que não tem ruiva, pode trazer uma loira.
Veio o prato principal. Camarão ao molho de ostras. Tava bem bom, mas também nada do outro lado do mundo. Pouco depois aparece o garçom com a segunda devassa. E para surpresa minha e de Frufru era uma R-U-I-V-A. Sim, aquela ruvinha que pedi no começo de tudo e foi responsável por toda esta comédia. Não conseguia parar de rir. O garçom, sem entender nada, se retirou.
Ao final veio a sobremesa que eu nem lembro o que era. Frufru ainda pediu outra loira, conversamos mais um pouco e voltamos pra casa.
Moral da história: uma cerveja que, pro restaurante deve ter custado uns R$ 2,00, nos isentou de uma conta de uns R$ 110,00.
N.A. - Seria ótimo se os estabelecimentos sempre tivessem atitudes assim, que resgatam a confiança do cliente no meio destas situações desagradáveis. Afinal, propaganda boca a boca é melhor de todas. E a minha sobre eles será positiva. Muitos pontos pro Nam Thai.
#140 Matei minha fé. Fui pego e condenado. A sentença é que foi estranha: vinte ave-marias, oito salve-rainhas e um pai nosso.
#140 Foi apenas após Paulo despetalar todas as flores do jardim que Aline, vizinha e alérgica ao pólen, tomou coragem para paquerá-lo.
#140 Somente depois de apurar sua técnica de beijos nos espelhos de casa é que Pedrinho finalmente conseguiu pegar alguém que era a cara dele.
#140 De manhã sou George, à tarde viro Ringo e quando anoitece me transformo em John. Mas é apenas ao adormecer que consigo bancar Paul.
#140 A maior felicidade de Narciso foi quando ele puxou o papelzinho do amigo secreto da firma e leu seu próprio nome.
Janeiro, fevereiro e março?
- Praias, mas sem sargaço.
Abril, maio e junho?
- Textos de próprio punho.
Julho, agosto e setembro?
- Mulheres que nunca lembro.
Outubro, novembro e dezembro por fim?
- Total indecisão. Não pergunte pra mim.
Rolou um concurso de criação no twitter, meses atrás, de microcontos de até 140 caracteres. Fiz alguns. Uns bons. Outros nem tanto. Esses são os meus mais queridos.
# 140/1
Ele, russo. Ela, Uruguaia. Ambos monoglotas. Dois mundos tão distantes que só conseguiram se amar graças ao braile.
#140/2
Plantei várias sementes. Fiz filhos em ruivas, negras, loiras e orientais. Esta foi a maior homenagem que prestei ao meu avô.
#140/3
Primeiro você, depois eu. Viramos nós e demos origem a ele. Que cresceu e, aparentemente sem tempo, nos colocou neste asilo.
#140/4
Para Bush, óleo negro. Para os naturebas, de oliva. Para as marias-parafina, bronzeador. Para caras como eu, o de peroba.
#140/5
A lâmina, afiada, alinha-se à garganta. Perder a barba ou a vida? Uma dúvida separada apenas por um fio.
A vida mudará, dois mil e nove?
Todos perguntam: “quando começas?”
- E lá tenho cara de quem se comove?
Mudes só por ti. Não me peças!
No natal do mundo perfeito
Não tem presente pra ninguém
Mas há amor tocando seu peito
E vários anjos dizendo amém.
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