Trânsito, o mais paulistano dos cartões-postais
Parece até chamada oral de português na quarta-série.
- Luizinha, qual o coletivo de borboleta?
-Panapaná, fessora.
- E o de carro?
- Engarrafamento.
- E o de engarrafamento?
- Ah, essa é fácil, fessora. São Paulo.
- Parabéns, Luizinha. Nota dez!
Pois. Se antes recebíamos monóxido de carbono e cortisol em doses cavalares, o tal do engarrafamento nos dias de hoje também nos dá visões relativas de tempo. Como ontem comigo. Saí da Paulista pra chegar na Vila Olímpia. Outra entrevista. Augusta, Colômbia e Cidade Jardim depois, desci para pegar outro ônibus na Faria Lima. E não é que perdi o danado? Como estava atrasado, resolvi percorrer os quase quatro quilômetros a pé. Em vinte minutos, e um bom pedaço de Faria Lima depois, eu ultrapassei o ônibus perdido. Em resumo: eu só consegui não me atrasar muito porque eu me atrasei. Ê, São Paulo. Cidade das contradições.
