Medo
Agora está oficialmente proclamada a monarquia presidencialista no Brasil. Se eu já não sentia firmeza no presidente, imagina só no rei.
Agora está oficialmente proclamada a monarquia presidencialista no Brasil. Se eu já não sentia firmeza no presidente, imagina só no rei.
Nada a ver com o caos aéreo e as rusgas entre os integrantes do
governo do lulinha. Mas que dá medo, dá. Isso foi filmado por um
amigo meu ONTEM, quando decolou de Recife pra tentar chegar
aqui em SP. Este post é prova que ele está vivo.
E quando você acha que viu de tudo em São Paulo, eis que surge ele: o incêndio. Foi no quarteirão daqui do lado de casa. Rua Augusta interditada, cinco carros de bombeiros, policiais mandando e desmandando nas redondezas e, claro, eu. Onde eu estava? Em casa, lendo e não sabendo de nada. Precisou a menina dos frus-frus me ligar pra saber se estava tudo bem. A publicação deste post prova que sim. Desci pra ver o ocorrido já à noitinha. Colhi informações com o pizzaiolo que trabalha em frente ao local. Ninguém morreu, exceto a sessão de cinema que eu ia ver às 19h10. Capitão Nascimento e o Bope vão ter que me esperar até a semana que vem.
(…) E ele ainda tentou andar sob as marquises mesmo com as tartarugas continuando a chover por toda cidade, inundando os bairros de cascos e pequenas patas. Ingenuidade sua. Mal dobrou a esquina e uma tromba de Galápagos o acertou em cheio.
E quando acordou nada viu. Estava cego. Não de amor, como na noite que terminara, mas de algum produto que a vagabunda já ausente colocou em suas vistas antes de levar o dinheiro. Vai-se a grana e sobram os documentos, pensou. Mas e seus olhos?
Sem horizontes ou primaveras, sua vida estaria negra pra sempre, uma repetição eterna daquilo que sentiu quando seu irmão mais velho o trancou no armário trinta anos atrás, aos quatro. Desta vez, entretanto, não haveria força suficiente e a porta ficaria fechada.
Viveria por aí, sem poder arrumar o cabelo assanhado pelo vento, tropeçando pelas irregularidades da metrópole e tendo que fazer um esforço hercúleo para aprender braille ou não arrancar o pescoço ao se barbear. Era o fim dos passeios pelas galerias de foto da vizinhança. Era o fim.
E quando acordou nada viu. Estava cego. A cabeça doía. Ressaca de uísque de milho na mais pura tradição yankee. Esticou a mão e acendeu o quebra-luz. A vagabunda ainda estava ali ao seu lado, adormecida. O nome não lembrava. Vagabunda não precisa de nome. Nome é luxo de namoradas, concluiu. Olhou a carteira a puxou uma nota de cinqüenta. Não muito pra esquecer deste pesadelo idiota. O suficiente pro táxi dela. Ajustou o despertador dois minutos adiante e se trancou no banheiro.
"Se Deus inventou algo melhor que dinheiro e mulher, ele guardou pra si."
É isso o que você aprende quando inventa de zapear a tevê de madrugada.
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