Sobre a realidade
Pro inferno todas as cartomantes
E as flores despetaladas do jardim
Não existem momentos como antes
Você já deixou de gostar de mim.
Pro inferno todas as cartomantes
E as flores despetaladas do jardim
Não existem momentos como antes
Você já deixou de gostar de mim.
Se você é uma pessoa triste
Tente dar um fim ao seu azar
Pois desde que o mundo existe
Ninguém aparece para consolar.
Eu penso em coisas maravilhosas
Toda vez que libero minha mente
Algumas amargas, outras gostosas
Que sempre me fazem ir em frente.
De todas as loucuras
que já foram feitas
Prefiro as obscuras
Ao invés das perfeitas.
Muitas vão escrever no seu espelho
Mulheres quentes, mulheres frias
Mas continue seguindo o conselho
E desconfie de todas as fotografias.
Às segundas, idéias infecundas
Às terças, paredes espessas
Às quartas, opções fartas
Às quintas, pincéis e tintas
Às sextas, nos tornamos bestas
Aos sábados, devagar como cágados
E aos domingos, os agitos são findos.
Para o raio que as parta
Todas as coisas pequenas
Pois de dia sou Esparta
E à noite sou Atenas
Não há coisa em você
Que eu não ame
Não há pele em você
Que eu não beije
Por isso sempre peço
Que me chame
Por isso nunca peço
Que me deixe.
Do velório sou a mortalha
Das ações sou o mercado
Do barbeiro sou a navalha
Dos anjos sou o pecado.
Cada noite quando é bem tarde
O desejo desperta e te procuro
Sem despertar o menor alarde
Seguindo teus olhos no escuro.
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